O senador Fernando Collor (PTC-AL) comparou, nesta segunda-feira (18), a situação da presidente da República, Dilma Rousseff, cuja admissibilidade do processo de impeachment foi aceita pela Câmara dos Deputados, com a que viveu em 1992, quando ele próprio foi afastado da Presidência. Collor também elencou medidas que a seu ver podem ajudar o Brasil a superar e desenvolver-se. As propostas estão no documento Brasil, diretrizes para um plano de reconstrução, anunciou.
Collor pediu serenidade e moderação aos demais senadores, ressaltando que sua situação é singular, já que é o único ex-presidente a ocupar um mandato eletivo, e é também o único a ter passado por um processo de impeachment até o fim. Nessa condição, está sujeito a ter que votar o impeachment de Dilma.
O senador disse sentir profunda apreensão e pesar. Pesar, pela possibilidade de participar do julgamento de um governo cujos principais atores e partidos protagonizaram o seu impeachment em 1992. Apreensão, por causa das dificuldades enfrentadas pelo país que, a seu ver, só vão ser revertidas após a superação da crise política.
— Este será um período que exigirá de todos nós, senadores principalmente, muito equilíbrio nos atos, muita moderação nos debates e uma plena consciência na responsabilidade que temos para com o Brasil. Seja qual foi o resultado do atual processo de impeachment, precisamos começar a pensar o futuro. O estado brasileiro precisará ser reconstruído; o governo, qualquer que seja, terá que se reinventar. A população não mais concordará com improvisos.
Ao analisar o quadro, Fernando Collor ressaltou que a situação econômica do Brasil de hoje é extremamente grave. Para o senador, o que o país vive é o aprofundamento de um processo de desgaste político que chegou a seu ápice na forma de aguda crise gestada ainda no primeiro mandato de Dilma.
Ele afirmou que, há muito, procurou alertar o governo para a falta de sincronia, de receptividade e de diálogo do Executivo com o Legislativo e com o país. No entanto, não foi ouvido. Como resultado desse processo, o Brasil teve uma década perdida e vai precisar de muito tempo para se recuperar e resgatar tudo de positivo que havia alcançado desde a redemocratização, avaliou o senador.
Para ajudar no processo de recuperação e de retomada do desenvolvimento econômico e social, Collor apresentou o documento Brasil, diretrizes para um plano de reconstrução. Entre as medidas, estão a reforma política e a adoção do sistema parlamentar; mudanças no papel do Estado, que, em sua avaliação, deve ser menor, mais ágil, bem formado, flexível e menos burocrático. Ajuste fiscal; reestruturação competitiva da economia e combate à pobreza também constam nas medidas sugeridas pelo senador.
Da Agência Senado
A lista dos nomes de políticos que serão alvo de inquérito por conta de terem sido citados na Operação Lava-jato, desencadeada pela Polícia Federal, e que aponta uma série de desvios e irregularidades na Petrobras, fez o chão de Brasília (DF) temer.
Disponibilizei - para o leitor - ainda no dia de ontem, 06, a lista completa entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela Procuradoria Geral da República. Agora, diante dos pedidos feitos pelo procurador-geral Rodrigo Janot, se aguarda a defesa dos citados.
A lista foi divulgada após decisão do ministro do STF, Teori Zavaschi. Ele não viu motivos - conforme a decisão - para manter as informações em sigilo. A notícia também repercutiu em Alagoas. Afinal, entre os nomes que aparecem estão quatro alagoanos.
Do Senado Federal, os três representantes de Alagoas são apontados como tendo envolvimento no esquema revelado pela Operação Lava-jato. O presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB), o senador Benedito de Lira (PP) e o senador Fernando Collor de Mello (PTB) agora correm para apresentarem suas defesas.
Sobre as acusações, Lira e Renan Calheiros já falaram ontem. Benedito de Lira encaminhou uma pequena mensagem a este blog por sua assessoria de imprensa. O peemedebista se posicionou nas redes sociais. Fernando Collor de Mello já havia alegado inocência antes de seu nome ser confirmado na lista. Há matérias sobre tais assuntos em postagens anteriores.
Da Câmara de Deputados, o nome presente na “lista de Janot” é o deputado federal Arthur Lira (PP). Ele ainda não se pronunciou.
Eis então o que pesa contra cada um dos alagoanos alvo de investigação:
O senador Benedito de Lira foi citado na Lava-jato pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Ele disse que o pepista - por intermédio do doleiro Alberto Youssef - teria recebido R$ 1 milhão para sua campanha ao Senado Federal em 2010. O valor seria oriundo de sobrepreços praticados em contratos da Petrobras.
Arthur Lira foi citado pelo próprio doleiro Alberto Youssef. De acordo com ele, um assessor do deputado federal alagoano teria recebido R$ 100 mil em espécie, mas que foi detido com o dinheiro no Aeroporto de Congonhas. O doleiro diz ainda que Arthur Lira recebia repasses mensais entre R$ 30 mil e R$ 150 mil.
O dinheiro fazia - ainda segundo o doleiro - parte da cota do PP no esquema que existia na Petrobras.
Renan Calheiros (PMDB) é citado por Paulo Roberto Costa também. O delator diz que houve uma troca pelo apoio político para que ele permanecesse no cargo. De acordo com ele, diante do “toma lá da cá”, alguns valores de contratos da Transpetro resultavam em dinheiro para o presidente do Congresso Nacional.
Em relação a Fernando Collor de Mello, a informação é a mesma que foi divulgada amplamente pela imprensa: o suposto recebimento de propina no valor de R$ 3 milhões, que foi citado pelo doleiro Alberto Youssef em delação premiada. A suposta propina derivaria de um contrato envolvendo a BR Distribuidora, que é subsidiária da Petrobras.
Aqui estão as petições do STF envolvendo os alagoanos:
Fonte: Cada Minuto


